quarta-feira, 25 de março de 2015

Mais do que ontem e menos do que amanha - Allan Clemon Hasbani - 41414936 - apm



               Não consigo dizer exatamente quando foi que as coisas começaram a ter um novo sentido, quando a maior expressão de quem eu sou passou a ser aquilo, passou a ser esse fenômeno que nem eu posso explicar; a única coisa que sei é que vai sempre ser assim, porque não fui eu quem escolhi o Corinthians, ele simplesmente está dentro de mim. Por mais que eu tente explicar, se você não sente, é impossível de entender, mas tudo bem, pois não estou sozinho, carrego comigo o espírito dos mais de 30 milhões de loucos e apaixonados, fiéis, na alegria e na dor. Estamos sempre presentes na incerteza, confiamos enquanto todos duvidam, acreditamos nas rezas, acreditamos na superstição, carregamos bandeiras, e formamos uma só voz para gritar. Gritamos mais alto, batemos palmas mais forte, e sempre calamos o adversário. 

            Esse sentimento altera a vivência do tempo e nos conduz a um estado de esquecimento de nós mesmos. Corinthians, o nome que faz florescer as mais intensas alegrias, nome que te faz chorar e sofrer sem vergonha alguma, o nome que vem encantando milhões de pessoas. E novamente, é impossível explicar porque somos sempre o protagonista, seja na crise, na liderança ou na lanterna; todo santo dia só se fala no Corinthians. E isso não é comprado, não é sorte, é apenas mérito místico de quem conseguiu se tornar num gigante saindo da lama. E essa é a história, que faz do Corinthians alvo de piadas, de rótulos não tão atuais, mas eternos: maloqueiro, sofredor, favelado. Mas que também faz do Corinthians um clube diferenciado, gigante pela própria natureza, merecedor da nação que o segue. Não podemos prever nessa vida quando vamos gostar ou não de algo, esse sentimento é fruto do acaso e é intenso. Talvez seja pela paixão, 
a paixão de ver um corinthiano ao seu ao lado sorrindo, aqueles olhos que vêem uma multidão indo para o estádio, ou aquela lágrima, que ao invés de cair de dor,
 ela cai de amor, por um clube que jamais iremos abandonar. 

            Eu poderia ficar dias falando sobre isso, pois é o que me representa, é o que me move, e é uma certeza que eu tenho na minha vida. Todo jogo, não importa qual seja, eu fico tenso, nervoso, a ponto de estourar, mas quando eu vejo aquele time entrando em campo, tudo fica bem, os olhos ficam tomados de lagrimas, mesmo que eu tente segurar as vezes, não tem como, é um sentimento maior do que tudo, é um amor maior do que ontem e menor do que o dia seguinte. Porfavor, não nos compare com nada, pois o que conta no final, é que o Corinthians tem presença de espírito, se você não está me entendendo, me desculpe, mas essa história não te pertence, não me leve a mal, essa glória, com todo respeito do mundo, pertence exclusivamente aos que nunca entram em campo somente com onze jogadores. "Nós somos o Corinthians, e o Corinthians está dentro de nós".





Sacré Coeur

Camila Xavier da Silveira Ourique

A experiência estética que mudou meu olhar sobre a sociedade contemporânea, foi a visita que fiz à Sacré Coeur. O monumento fica no ponto mais alto de Paris, proporcionando uma visão panorâmica de uma das mais belas cidades do mundo. Para mim é o lugar que mais estimula o estado contemplativo e reflexivo do ser humano, trazendo um sentimento de paz e clareza.  A basílica possui uma estrutura grandiosa e fascinante, inspirada na arquitetura romana e bizantina. Por estar numa parte da cidade que preservou sua arquitetura original, nos faz “viajar no tempo”.
Porém uma situação chamou minha atenção, a atitude das pessoas ao entrarem no templo que, ao invés de observarem tal beleza e grandiosidade e absorverem a experiência e o sentimento singular que ela traz, estavam mais preocupadas em tirar fotos e fazer “ckeck-in’s”. Tal ação contemporânea  faz com que as pessoas tenham uma perda de experiências incríveis, repertórios e sensações enquanto preocupam-se apenas com o status. 

Ensaio de Orquestra

Desde que saiu das cavernas, a ambição do homem está em compreender o belo, o bom e o verdadeiro. A estética tem a intenção de desvendar a fonte norteadora das belezas sensíveis. O que nos faz admirar um quadro, o que nos toca frente a uma grandiosa paisagem natural, ou domina nosso corpo ao som de uma boa música?
Simetria, composição, ordenação, proposição, equilíbrio, são critérios pesquisados pelos filósofos, desde a Grécia Antiga, para estudar a arte e dela extrair a teoria do belo. As complexidades metafísicas da filosofia estão ao alcance de poucos, mas a experiência estética está ao alcance de todos que se prestem a dar ouvidos à sua própria sensibilidade. Vivenciei algo significativo nesse sentido na primeira vez que estive num ensaio de orquestra.
Tinha meus nove ou dez anos, fui levado pelo meu pai à orquestra sinfônica da Lapa, e não esperava nada daquele inusitado passeio. Entramos numa sala pequena para tanta gente e sentamos numas cadeiras à volta dos músicos. Já estavam todos lá, montando seus instrumentos, afinando e organizando as estantes. O maestro ergueu a batuta e confesso que não me empolgou os gestos displicentes e a má vontade de alguns deles. A música já corria e um senhor ainda ajustava seu trompete. Mesmo para meus ouvidos inexperientes parecia que os sons não se encontravam devidamente. Uns dez minutos depois minha opinião já estava formada, quando vi um senhor alto e bem vestido entrar na sala. Quem conduzia a batuta a apoiou na base e sentou-se pegando um violino. Todos os músicos sentaram-se corretamente, um silêncio tomou a sala.
Ele tomou a batuta, passou um olhar firme de um lado ao outro da orquestra, como capturando os olhares dos músicos. Posicionou a partitura, fez um longo sinal com a cabeça. Bateu três vezes com a batuta na base de madeira. E ao movimentar seus braços uma musica completamente harmônica explodiu na pequena sala! Cada som tinha seu tempo, amplitude e lugar exato. O grave da tuba ecoava. A harmonia dos violinos, o saltitante contrabaixo. Nunca tinha visto tão impactante experiência. Meu coração bateu forte.
Hoje sei que o primeiro violino havia tomado o lugar do maestro enquanto este se preparava em seu gabinete. Mas o surpreendente contraste do que para mim teria sido a orquestra, naquele pré-ensaio desajustado, seguido pelo entusiasmo dos músicos frente à autoridade de seu maestro, foi a maior lição de estética que nem Aristóteles ou Kant jamais poderiam explicar com suas tão importantes teorias do belo.

Carolina Alves G. de Figueiredo

Os melhores seis meses da minha vida

Bianca Alencar Lopes - 41415916

Para mim, experiência estética é quando alguma coisa marcante acontece em nossas vidas. Algo que você jamais esquecerá e que pode vir a mudar completamente sua vida, seu modo de vivê-la e a maneira de encará-la.
Sendo assim, minha experiência estética ocorreu quando eu tinha 17 anos e fui fazer intercâmbio no Canadá. Por ser filha única, todos acreditavam que eu não aguentaria ficar muito tempo longe de mordomias, sem família, amigos e para completar em um país muito frio. Contudo, todos se enganaram. Vivi os melhores 6 meses da minha vida, com amigos novos de várias nacionalidades e em uma casa com pessoas que hoje, tenho o prazer de chamar de minha segunda família.
Na ida para o Canada lembro que chorei muito pouco ao abraçar minha mãe, pois sabia que iria voltar em alguns meses. No avião, estava muito ansiosa para conhecer o que viria pela frente, mas também com muito medo. Como seria a minha escola? Será que eu faria amigos?  Será que a minha host family vai ser legal? Bom, só posso dizer que as respostas foram dadas na minha primeira semana e foram positivas. Minha escola era incrível,  fiz vários amigos canadenses e de outros países e minha host family não poderia ser melhor,  tinha duas irmãs mais novas e um irmão da minha idade. Depois da minha primeira semana, percebi que o mais difícil seria a hora de voltar, pois para vir eu deixei minha família e amigos de anos, mas sempre soube que voltaria e tudo seria como antes, mas para voltar para o Brasil já seria diferente. Meus amigos voltariam para seus países e minha família iria receber novos estudantes em meu lugar, ou seja, na minha cabeça todos iriam me esquecer. Eu estava errada, ainda bem! Até hoje falo com a minha família canadense e pelo menos uma vez por mês ligo por facetime para as minhas irmãs, minhas amigas estão sempre mandando noticias de suas vidas e planejam vir me visitar.  Sinto saudades do que vivi e das pessoas que conheci durante estes seis meses.

Concluo, que minha experiência estética foi o intercâmbio, por tudo que ele me proporcionou. Em tão pouco tempo aprendi a me virar sozinha, fiz novas amizades, me adaptei à uma nova família, com hábitos, costumes e língua diferentes e aprendi à controlar e cuidar do meu dinheiro. Em resumo, cresci muito como ser humano e amadureci. Hoje dou valor à tudo, respeito tudo e todos, apesar de suas diferenças e sei lidar com dificuldades sem me desesperar. Enfim, o Canadá me tornou uma pessoa melhor e mais independente.



SUBCONSNCIENTE - Barbara Naswaty 41415681

Há! O subconsciente... Ele existe? 
Diante do descobrimento do "novo", não só o novo modo de viver ou de pensar, mas de sentir, de amar, de aguçar e de saber que tal experiência me levaria a um novo plano de visão, em que se eu já havia sentido algo, poderia ter passado despercebido; ou no caso amado alguém, a sensibilidade do toque não teria sido cem porcento tirada de mim; ou então a vontade de aguçar os meus sentidos, onde o tato - queria tocar e mexer em todas as coisas e o simples fato de querer "lavar a mão" se tornou a maior sensação de leveza que eu já pude provar- ,o olfato diferente do que ele representa nessa ânsia de viver que temos hoje -cheirava as mais lindas flores e os aromas do ar puro, tinha a vontade de me levar mais longe mas meu consciente o forçava a parar- , a audição escutava um canto suave que vinha de longe -entrava com força nos meus tímpanos e fazia com que eu me sentisse em outra dimensão que me levava a lugares distintos a cada momento e que dava o calor da dança e do movimento que eu quisesse sentir- , a visão era uma das coisas mais fascinantes que eu já pude ter naquele momento -vários sentimentos envolvendo meu corpo e cada vez que eu fechava os meus olhos, meu corpo se deslocava para uma nova porta de conhecimento e os meus anseios, medos, tentações, felicidades, momentos, pedidos, aconteciam todos ao mesmo tempo- ... 
Parece uma loucura imensa, mas essas são lembranças eternas de um Ritual Xamanico (Porta do Sol) que participei e todos esses sentimentos confusos e sensações faziam parte de um Transe. O Ritual nada mais é que o encontro de várias religiões e crenças que estão alí juntas para uma Expansão da Mente ou seja, do seu subconsciente, você com você mesmo. É um lugar onde é obrigatório o uso de roupa branca, que tem a duração de três horas, possui uma banda onde todos também fazem a expansão da mente com os demais e existem os guardiões, que são pessoas que já elevaram tanto a sua expansão, que conseguem não serem tomados pela viagem longa do ritual e ajudam as pessoas caso elas passem mal ou precisem ir ao banheiro. Para fazer a expansão da mente, tomamos uma chá sagrado, só permitido por essas "portas" que dirigem esses tipos de rituais, chamado de AYAHUASCA
O ritual é como se fosse uma viagem, um sonho de olhos fechados onde você esta parado, sentado em uma cadeirinha de plástico pensando "Como vou chegar aos meus medos? Como sei o que guardo e o que não guardo? Sou bom? Sou mau? O que me causa dor e o que me causa alegria? Eu já amei alguém? Eu escuto as pessoas?". Para conseguirmos chegar a tal conclusão e conhecimento daquilo que fazemos na terra, as músicas da banda, como havia dito antes, te levam há lugares diferentes do seu subconsciente, daquilo que você esconde dentro de você, da arrogância que você nega ter ou da vontade de querer sair gritando o quanto é livre e gosta de viver. 
O céu que antes era um mero céu, se enche de estrelas que somente você enxerga, te levando a uma imensidão tanto da luz tanto de espírito, onde cada pessoa sente o que tem que sentir e chora o que for necessário chorar, vomita caso negue algo que está visível, talvez um defeito ou um amor, canta se estiver num momento de alegria pura, não somente a alegria, ela é pura desta vez... Não tem como você evitar entrar nesse subconsciente, o chá te faz viajar dentro dos seus pensamentos negativos e colocá-los para fora e os positivos, é você chorar por não ter dito um "Eu te amo" quando desligou o telefone com a sua mãe, por exemplo. É algo inexplicável, onde as pessoas procuram a cura de si mesmas. É uma vontade de amar o outro e de estender a mão para alí no mínimo cinquenta pessoas que você não conhece, que você emana a sua luz sem se perguntar o porque de estar fazendo aquilo. 
Você deve estar se perguntando que três horas em transe é um absurdo e que você nem tem tantos problemas assim, com apenas dezenove anos de idade... Mas na verdade as horas passam no máximo em quinze minutos de vários acontecimentos próprios da sua mente e do seu sonho. Esse tipo de ritual, não tem só a explicação da cura que as pessoas buscam, até porque a explicação esta dentro de você mesmo, mas vão muitos drogados, alcoólatras etc, pessoas que realmente precisam entender que a vida não é só a base disso e enxergam que precisam de luz (Deus ou qualquer outra religião que pertencem) para que elas não machuquem quem as ama. O poder desse ritual e desse chá, curou um possível câncer de mama que minha mãe estava para ter... Mas não passava de mágoas retidas no seio que precisavam ser trabalhadas. 
Quando o ritual acaba, seu pensamento é "Não vou mais julgar. Eu aceito ser amada. Eu me aceito. Eu aceito os meus defeitos e minhas qualidades. Eu vou amar mais e não simplesmente amar de qualquer jeito. Eu me entrego." Posso dizer que a partir dessa experiência, nunca mais fui a mesma. Ao mesmo tempo que parecia ser algo que me dava medo, me dava também uma sensação de conquista e de ser melhor para com o outro e para comigo mesma. Assim concluo que temos nossos próprios sentidos reprimidos dentro do nosso subconsciente. 

Uma música do ritual:
Esse lugar é um jardim cheio de flores
Dando a todos a cura e a paz
Vem Irmão, venha receber o dom que agora vai ter
Pacifica o coração e recebe o dom que ele traz
Encontrei uma árvore dourada, cheia de flores infinitas de contar
Eram rosas, rosas cor de rosa
Como era lindo esse lugar...
Aqui tudo é sereno como as aves voam no céu
Serena Luz Serenas Estrelas
Serenas Flores Sereno Luar
Esse é o jardim de paz (4x)


Pedro De Vitto Clemente 41123656

A Pedra do Reino

Teatro Minimalista


  Em 2006 estudava teatro em São Paulo. Meu professor da época baseava seu método muito em função da experiência que teve com o diretor teatral Antunes Filho, e claro recomendava suas peças sempre que estavam em cartaz. Nesse período, a peça em cartaz era A Pedra do Reino, baseado no Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, ambos de Ariano Suassuna. O que me motivou a assistir o espetáculo foi uma curiosidade sobre o método do diretor em relação aos atores, mais do que uma curiosidade sobre sua abordagem, interpretação das obras e artifícios de linguagem.
  Ao chegar no Teatro Anchieta, no Sesc Consolação a única concepção que tinha em mente sobre o que estava prestes a ver era sobre o talento de Antunes, todo o entorno que dizia respeito ao momento vivido pelo teatro em São Paulo, ou a importância da obra de Suassuna ser interpretada, nos palcos ou quais os atores estavam envolvidos, me passavam despercebidos. Graças provavelmente a esse "despreparo", assisti a um espetáculo marcante.
  De uma forma muito simples sem nenhum tipo de cenário durante todo o espetáculo, o diretor estabelecia uma atmosfera e espaço completos. Os figurinos somados a maneira como o ator andava ou manipulava os objetos, transparecia toda uma dramaturgia anterior ao espetáculo, que em poucos segundos esclarecia ao espectador o que se passava. Na cena inicial por exemplo, há uma banda de rua em terceiro plano que atravessa o palco, e a frente o protagonista "Quaderna" que segura uma grade de madeira como se fosse uma janela de um cárcere. Antes de ser dita qualquer palavra, já é possível interpretar que estamos espiando esse personagem pela janela de uma prisão em uma cidade pobre e remota na região agreste. O que impressiona, é o processo cognitivo automático que se dá no cérebro, que traduz pelos objetos, gestos e intonações isolados em um espaço vazio e escuro um universo complexo, e repleto de informações. 
  Outra cena marcante e muito cômica, é quando existe uma rixa entre famílias pelo poder, as quais representam cada uma um brasão diferente. A cena era feita apenas com cadeiras e os atores: Basicamente haviam umas cinco cadeiras de cada lado do palco viradas de costas para a platéia, cada família sentava em um lado do palco virados todos de frente para a platéia. A magia da cena se dava na dinâmica dos atores sobre essa estrutura: Enquanto sentados, os atores ficavam quicando sobre as cadeiras, como se estivessem a cavalo. Além das falas saírem totalmente soluçadas, era exposto o ridículo da competição pelo poder e o pedantismo da elite ganaciosa. Novamente, com artifícios extremamente simples, o diretor criou uma cena extremamente rica, e completa em seus elementos essenciais.
  Não necessariamente uma experiência estética parte de uma estrutura minimalista, no entanto pela minha perspectiva e do que percebi nesse espetáculo, parte de artifícios sensoriais que catalisam um processo cognitivo, e nos transporta para uma outra realidade possível. Por exemplo: Três arestas iguais dispostas perpendicularmente uma em relação a outra em suas pontas não formam um quadrado, mas essa estrutura sugere um quadrado, e catalisa no nosso cérebro a experiência do quadrado. 

O dia em que conquistei o mundo – Pedro Racy

“O mundo é seu, torcedor tricolor”. Foi com essa frase, dita pelo narrador Galvão Bueno, que eu mudei toda a minha vida. Foi em dezembro de 2005, o meu time, São Paulo Futebol Clube, tinha ido para o Japão disputar o maior campeonato de clubes do mundo, o Mundial Interclubes, enquanto eu, com 9 anos, tinha ido para a praia de Ilha Bela para jogar um torneio de futebol. Na época, eu era um apaixonado por futebol, mas talvez não tanto pelo meu time, pois não entendia muito bem o porquê tínhamos que ter um time específico e torcer por ele a qualquer custo. Enquanto jogávamos o campeonato, e íamos passando de fases, o SPFC ganhava a semifinal do Mundial, e eu comemorava, mesmo sem ter visto o jogo achava legal que o time que eu tinha escolhido ganhado, mas aquilo ainda não tinha uma importância grande pra mim, eu queria mais é jogar futebol. Ambos chegamos a final, o SPFC do Mundial Interclubes, e eu, no Campeonato Interclubes de Ilha Bela, isso no mesmo dia e no mesmo horário.
 Quando estávamos indo do nosso hotel para o ginásio da grande final, paramos para ver os 5 primeiros minutos do jogo do SPFC que já tinha começado. Foram 5 minutos onde o time do Liverpool (Inglaterra) pressionou muito e quase já fez um gol logo de cara, e pela primeira vez eu senti um frio na barriga por algum jogo que eu estava torcendo, e não jogando. Fomos para o jogo, começamos muito bem, abrimos logo 2 a 0 contra um time local e tínhamos apenas que segurar o placar até o final. O meu time tinha dois técnicos, um corintiano roxo, e outro, um são paulino doente. O são paulino nem entrou no ginásio, ficou no bar da frente assistindo a final do Mundial. Lembro exatamente, nós estávamos pressionando a saída de bola do time local, quando entra no ginásio o meu técnico são paulino, chorando, e gritando “GOOOOOL P*RRA!!!!!!!!”. Eu parei de prestar atenção, como todos os outros jogadores dos dois times, para ver o que estava acontecendo, e o jogo só voltou quando percebemos: São Paulo 1X0 Liverpool. Nosso técnico não entrou mais nenhuma vez no ginásio, nós fomos campeões, e ao final da cerimonia de entrega da taça de campeão, meu técnico são paulino saiu do bar, para me chamar para ver os últimos 5 minutos do jogo do SPFC. Meu time ainda estava ganhando, e faltava apenas 5 minutos. O bar não estava cheio, era um bar pequeno, devia ter uns 5 ou 6 são paulinos vendo o jogo, todos tensos, não tiravam os olhos da TV, alguns até chorando já estavam. Na última chance do Liverpool no jogo, o atacante do time inglês chutou uma bola para fora da meta são paulina, decretando o terceiro título Mundial do SPFC. Quando o goleiro são paulino bateu o tiro de meta, Galvão Bueno gritou : “Acabou! O mundo é seu, torcedor tricolor.” Foi nesse exato momento em que pela primeira vez eu senti o que é ser são paulino. Comemorando, gritando, vendo os outros chorando de emoção, foi ai que eu tive a certeza que o mundo era meu como era de todos os outros torcedores do São Paulo Futebol Clube.

Foi naquele 18 de dezembro 2005 que eu mudei todo o meu ideal de vida. Explicar a paixão que existe entre um homem e seu time de futebol, é impossível, é necessário que se sinta, e eu senti, e dou graças a Deus por isso. Um dos lemas da principal torcida organizada do SPFC é: “Sentimentos movidos por um ideal, SPFC”, e esse é um lema que eu levo para toda a minha vida. Compareço em todos os jogos no Estádio do Morumbi, onde  quando começa qualquer jogo, todos os problemas do mundo acabam, e a única coisa que importa é o meu time. Eu tenho explicado para todos da minha família, meus amigos, que a grande paixão da minha vida não é uma pessoa, não é uma profissão, é um time de futebol, mas não qualquer time, é o São Paulo Futebol Clube, que me fez conquistar o mundo pela primeira vez. Eu choro, sofro, xingo, torço, mas, principalmente, amo.